encontro desNORTE 2017

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encontro desNORTE 2017
RESIDÊNCIA
12-15 Julho 2017
Mosteiro S. Bento da Vitória / TNSJ, Porto
O desNORTE surgiu em 2011 perante a necessidade de se partilharem práticas artísticas, colaborar, agitar a cidade e criar um espaço para os artistas das artes performativas, emergentes no Porto, transformando-se um grupo ativo e responsável pela realização de mostras anuais, residências artísticas e encontros.
Depois de 4 anos de mostras abertas ao público e com a grande mudança cultural que se sente na cidade do Porto, este ano sentimos a necessidade de organizar um evento mais íntimo entre artistas, onde o foco será a partilha de práticas e pesquisas, com o tema geral Porto – o futuro a partir daqui?
O encontro decorrerá de 12 a 15 de Julho, no Mosteiro de São Bento da Vitória (Porto) e contará com a presença de alguns artistas ligados ao desNORTE que enviaram as suas propostas (ver programa em baixo).
No último dia do evento, termos connosco um convidado especial, fora do contexto da dança do Porto, com quem podemos partilhar as nossas experiências.

NOTA:

  • Este encontro é em formato de residência e é aberto a todos que desejem participar, desde que inscritos previamente. Não haverá eventos públicos.
  • Participação gratuita. Necessária inscrição prévia para todas as atividades até 8.7.2017para mostra.desnorte@gmail.com

PROGRAMA

12 de Julho – 4ª feira

  • 10:00-11:00 – Aquecimento com Cristina Planas Leitão “marching on” Local: Sala de Ensaios
  • 11:00-12:30 – Partilha de Prática Física com Ana Renata Polónia “Carrossel” Local: Sala de Ensaios
  • 14:00-15:30 – Partilha de Prática Física com André Soares – “Meteorologia do Corpo” Local: Sala de Ensaios
  • 16:00-17:30 – Encontro: Práticas REAIS de produção e logística – encontro partilhado orientado por Ana Renata Polónia Local: Claustros

13 de Julho – 5ª feira

  • 10:00-11:00 – Aquecimento com Ana Renata Polónia Local: Sala de Ensaios
  • 11:00-12:30 – Spa – Prática com Mara AndradeLocal: Sala de Ensaios
  • 14:00-15:30 – Partilha de Prática Física com André Soares – “Meteorologia do Corpo” Local: Sala de Ensaios
  • 16:00-17:30 – Encontro: Survival for Dummies – Estratégias partilhadas de sobrevivência artística para hoje moderado por Cristina P. Leitão Local: Claustros e Passeio exterior

14 de Julho – 6ª feira

  • 10:00-11:00 – Aquecimento com Mariana Amorim Local: Sala de Ensaios
  • 11:00-12:30 – Partilha de Prática Física com Mariana Amorim – “Sem título” Local: Sala de Ensaios
  • 14:00-15:30 – Continuação da sessão da manhã Local: Sala de Ensaios
  • 16:00-17:30 – Encontro: The end as it is? Moderado por Cristina Planas Leitão Local: Sala de Ensaios

15 de Julho – Sábado

  • 10:00-12:30 + 14:00-17:30 – Sessão Moderada pela convidada Jenny Hill Local: Sala de Ensaios

 

Ana Renata Polónia

CARROSSEL – prática
Esta pesquisa coreográfica centra-se na construção de um dispositivo imaginário, sugerido pelo posicionamento do corpo. Propõe-se, nesta prática, a construção de um corpo icónico e individualizado, que se relacionará com os restantes corpos pela troca sucessiva do seu lugar no espaço.
CARROSSEL – aquecimento
Este aquecimento baseia-se na procura do “aquecimento perfeito” para cada criação. Com base nesta pesquisa coreográfica e resgatando alguns exercícios encontrados em pesquisas anteriores, propõe-se um conjunto de enunciados, ao som de uma banda sonora construída para o momento.
Práticas REAIS de produção e logística
Um encontro que sugere a partilha de experiências sobre a produção artística, desde o processo criativo, à realização da obra, como é que vive e trabalha cada artista, no contexto atual.
ANA RENATA POLÓNIA [1985, Porto] Concluiu em 2009 o Mestrado em Arquitetura. Em 2015 ingressa a Formação Avançada em Criação e Interpretação Coreográfica da Companhia Instável. Desde 2012 desenvolve de forma independente as suas criações coreográficas, das quais destaca A Dimensão Oculta de Renata Polónia, MESA e YEBORATH.

© M.Gusinde, povo Selk’nam, Tierra del Fuego, 1923

André Soares .água.fogo.terra.ar

Processo criativo baseado na investigação constante e apurada do corpo para práticas de criação e estados de consciência, sejam estes do próprio corpo, do corpo do parceiro, do corpo da natureza, do corpo sonoro e energético. Como um programa físico abrangente com base em BodyWeather cultiva uma relação consciente para o estado de mudança constante dentro e fora do corpo. Geralmente enfoca três principais áreas de prática que variam entre o trabalho de alta energia e tranquilidade, explorações meditativas: MB (Músculos><Ossos, Mind><Body): dinâmico, rítmico exercitar-se para a força, flexibilidade e de ligação à terra. Manipulações: uma série de formas precisas preocupados com alongamento e alinhamento. Improvisação guiada, meditação e relaxamento. Sessão que desenvolve uma relação consciente com o movimento e escuta do corpo desprovido de qualquer estética específica. Uma abordagem ao treino e à performance que investiga as intersecções entre os corpos e os seus ambientes e é a base para METEREOLOGIA DO CORPO. Porque os corpos estão em constante mutação – como o clima, no sentido de um sistema complexo de influências que atravessam os corpos e o mundo.

Serão desenvolvidas consciência do espaço, velocidade, forma, condição, temperatura e densidade do corpo e do seu meio ambiente através de uma série de propostas físicas que desafiam os movimentos habituais, desenvolvem a sensibilidade e  potenciam a presença física, consciência e técnica (espessura, corpos múltiplos, corpo invisível, corpo orgânico, corpo energético, corpo xamânico, etc) da dança e movimento, sempre em ligação com os quatro elementos, água (líquidos do corpo), fogo (temperatura e energia), terra (a matéria do corpo) e ar (respiração).Trabalhamos também enquanto “sistema” um corpo (grupo) feito de outros corpos (individuo) que coexistem e mantêm um “MAAI”(espaço).

André Soares (04.02.1981) é artista independente, performer e investigador em coreografia e performance. Licenciado em Design pela Escola Superior de Arte e Design (2004) e em Dança Contemporânea pela Escola Superior de Dança (2009). Concluiu o Programa de Estudos e Pesquisa em Criação Coreográfica (2009) do Fórum Dança. Residiu em Berlim 2010-2015 onde concluiu a pós-graduação em teatro físico na Berlin Post School-KIM com Tanzfabrik. Cofundador e membro do coletivo Flocs&Shoals e de For the Sake of Beeing(s). Tem colaborado desde 2008 como performer e cocriador regularmente em projetos nacionais e internacionais. Lidera Laboratórios e Workshops (Uncoding Maps of the Body, Giardino Zoomorfico e Meteorologia do Corpo), ensina tecnica de dança, improvisação, composição e BodyWeather. Residente entre Portugal (Porto e Açores – Pico), Alemanha (Berlin) e Itália (Pordenone).

Cristina Planas Leitão

O Aquecimento “Marching on” e os encontros propostos surgem da pesquisa para a nova criação UM [unimal] a desenvolver durante 2017, com estreia em 2018. UM [unimal] é um solo que invoca a ideia de como um só corpo pode representar um coletivo e história comuns, através de uma macropesquisa sobre o lugar da dança, especificamente das danças de resistência, dos movimentos políticos e sociais, do seu impacto na nossa sobrevivência e na manifestação dos corpos de hoje, tendo como tema central a sobrevivência.
O foco dos encontros centra-se também no atual papel do desNORTE e na sua questionável necessidade hoje em dia.

Cristina P. Leitão – (Porto, 1983). BA Dance, ArtEZ (NL), 2006. Trabalha com David Zambrano desde 2005 sendo convidada para 50 days of Flying Low and Passing Through, Costa Rica (2010), certificando-a nas duas técnicas. Desde então leciona internacionalmente em Universidades e estúdios. Colabora com Gabriella Maiorino como intérprete e assistente por 5 anos. Desde 2016 cria e coordena o projeto Aquecimento Paralelo com o TM Porto. Foi ensaiadora de Hofesh Shechter e Gregory Maqoma (Companhia Instável). Trabalha como intérprete para Isabelle Schad, Flávio Rodrigues, Catarina Miranda e atualmente com Marco da Silva Ferreira. Em 2011 co-cria The very delicious piece com Jasmina Krizaj, seguindo-se bear me e FM [featuring mortuum]. Em 2016, com a The Very Delicious Piece XL, é finalista no Danse Élargie no Théâtre de la Ville, Paris. Em 2011 inicia os encontros desNORTE com Ana Figueira, Andreas Dyrdal, Elisabeth Lambeck, Pedro Rosa, Susana Otero e Victor Hugo Pontes.

© imagem Cristina P. Leitão

Mara Andrade

Spa será uma prática que usa e abusa de  simples tarefas de limpeza e aprimoramento corporal. Não será a sequência de mini tarefas o cerne da pesquisa mas sim, toda a performatividade do corpo que brotará  entre estes movimentos.

Mara Andrade – Entre Medicina e Dança, inspira-se na fisicalidade de estados emocionais e como se transformam uns nos outros.
Criou Uma Pequena Morte e Psicanálise em 2012. Em 2013, com Oxitocina, representou Portugal na VI Bienal de Jovens Criadores em Salvador da Bahia e cocriou Por minha Culpa minha tão grande culpa com Marco da Silva Ferreira. Entre 2014 e 2015 criou o solo “Um Triste Ensaio sobre a Beleza” que estreou a 4 de Outubro de 2015 no Teatro Campo Alegre, Porto. Neste momento pesquisa para “Lonely Tasks”, uma performance que estreará em 2018.

© imagem Mara Andrade

Mariana Amorim

O Aquecimento preparará os participantes para a exploração teórico-prática abordada em “Sem título” – pesquisa iniciada em 2012 em contínuo desenvolvimento, reflectindo não só sobre o corpo/movimento mas também o corpo/social.
Nesta pesquisa procuro perceber o que é e qual será um lugar de conforto. Se é dado pelo sentido de pertença, se define a identidade, se se altera com a mudança de lugar. As questões levantadas são: Como construir o nosso lugar confortável? Mover o corpo numa determinada maneira cria esse lugar por si só? Ou é a nossa constante adaptação ao espaço que o cria?

Mariana Amorim é licenciada em Dança pela Escola Superior de Dança (Lisboa) e Mestre em Pesquisa Coreográfica e Performance pela  Roehampton University of London (Inglaterra).

O seu trabalho apresenta particular interesse na condição humana, em espaços físicos e as suas influências e condicionantes para aqueles que os habitam, usando o corpo, a escrita, a fotografia e o vídeo na sua investigação.

Sediada no Porto, colabora com diferentes artistas regularmente em Portugal e internacionalmente. Dirige a Esquiva Companhia de Dança através da qual apresenta os seus trabalhos de criação. www.marianaaamorim.com

© imagem Mariana Amorim, Londres 2012
Artista convidada – Jenny Hill

“My background is in contemporary dance, martial arts, Japanese Butoh, and the Feldenkrais Method. These different strands form part of the making process.
The body is central, listening into the body, supported by functional and poetic imagery. I aim to refine (body/mind/feeling) awareness. This is always the foundation for choreography, whatever ideas and thematic material may be intertwined with that. I work with the blurring of theatricality and pure movement, how these seeming dichotomies can merge, how meaning gets created and how small shifts in movement can change the feeling/intention and reading of a work.
I’ve worked in solo, duet and group collaborations, in conventional theatre spaces, and site sensitive locations such as a London church, an industrial warehouse, the coast line and a shopping centre.”