encontros desNORTE (2011-…)

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Setembro de 2011

Ideia inicial para as conversas DESNORTE – idealização de Cristina Leitão em colaboração com Pedro Rosa e Ana Figueira (Proposta de funcionamento e continuação do projecto após o Manobras no Porto)

DesNORTE | CONVERSAS

Encontros de reflexão e partilha da prática artística actual de dança contemporânea no Porto / região Norte

“O circuito underground a que se viu remetida a dança contemporânea no Porto, por via de uma lacuna ao nível de (1) falta de espaços de apresentação formal e (2) falta de uma programação regular (excepção feita para a Fundação de Serralves que apresenta uma programação regular ainda que assente na performance e centrada nas exposições em curso e para o festival Dancem! do TNSJ com regularidade bienal e que traz à cidade um conjunto de companhias de forte projecção) sublinha a necessidade de olhar para o perfil desta cidade. Durante anos, o trabalho desenvolvido pela CI, em conjunto com outras instituições, nomeadamente o NEC, o Rivoli (enquanto dirigido por Isabel Alves Costa), a Fábrica de Movimentos, e, muito especialmente, a experiência Porto 2001, foi responsável pela criação no Porto de um público de dança regular, ávido e atento, público esse que agora se vê disperso (dispersão comprovada pelos estudos de públicos e observação de outros teatros, tal como o Centro Cultural de Vila Flor).”   Texto cedido pela C. I.

 

Descrição do projecto

Conceito | Conteúdo | Contexto

A realidade do Porto, em relação à dança contemporânea é uma realidade que voltou a ser fechada e sem um público assíduo, comparativamente a outras zonas do país e especialmente à Europa. Podemos falar de tudo o que não existe mas a proposta é falar e partilhar o que existe – Nós: os artistas, intérpretes, coreógrafos, professores que trabalham diariamente no Porto.

Podemos organizar jantares de amigos e discutir arte, no entanto a proposta é a criação de um discurso articulado dentro da comunidade ligada à dança contemporânea que possa partilhar a sua prática artística, as suas dúvidas, experiências dentro e fora do pais, confrontar opiniões de quem à partida não as partilha, gerar feedback entre um núcleo artístico e numa outra fase mais avançada, direccionar os encontros para a criação de público que possa vir a formar uma plateia assídua dos nossos espectáculos.

Inicialmente os encontros seriam mais pequenos e incidiriam tanto em questões de prática artística de cada um e numa segunda parte na discussão do funcionamento e estrutura dos mesmos e como prosseguir com os encontros seguintes (como por exemplo: centrar a conversa desse dia em dois processos criativos, guardando tempo para a abordagem espontânea de um terceiro ou qualquer outra questão e numa segunda parte ter tempo para falar da organização/ conteúdo da reunião seguinte).

A nível de funcionamento os encontros realizar-se-iam uma vez por mês (sempre com flexibilidade dentro do mês/ dia a organizar), com duração de aproximadamente 2/ 3 horas e com um carácter bastante informal.

A ideia é que o primeiro seja relativamente pequeno, com um núcleo que já se conhece e que tem curiosidade sobre as abordagens e práticas artísticas de cada um (o que muda face à participação no Manobras que funcionará como conversa kick-off para o “projecto” conversas desNORTE)

Como ponto de partida (situação que poderá alterar-se face à realidade do momento e desenvolvimento das conversas), em cada encontro decide-se quem dos presentes irá organizar o encontro seguinte – a proposta é de uma ou duas pessoas de modo a gerar uma maior dinâmica. A nível de espaços pretendemos contactar locais onde se possa exercer a prática de dança contemporânea no Porto e manifestar a nossa vontade de envolver estruturas ao nível da colaboração. No entanto, inicialmente, as reuniões seriam abertas apenas a artistas individuais – ou seja, é possível a presença de pessoas que pertençam a determinadas associações e estruturas mas apenas em nome individual.

Pretendemos contactar espaços como os do, NEC, Contagiarte, Teatros, Ginasiano, Balleteatro, etc. e em casos especiais as reuniões realizar-se-iam em espaços menos formais, casas particulares ou locais urbanos.

A Companhia Instável dispõe desde já o seu espaço para a realização das conversas sempre que for possível.

Serão reuniões artísticas itinerantes, variando no número de participantes mas com uma periodicidade regular.

A regra será que se houver pelo menos dois participantes o encontro deve realizar-se.

A participação é livre e não há obrigação de a manter em todos os encontros. Nomadismo e inconstância fazem parte da realidade artística actual e isso deve reflectir-se. Os artistas apenas participam nos encontros que puderem e quiserem, sendo apenas obrigatória a presença dos organizadores de cada um para facilitar a coordenação.

Um núcleo inicial interessado encontrar-se-á em Outubro. Posteriormente para um segundo encontro enviam-se convites a outros artistas conhecidos de cada participante. Cada novo artista é sugerido por um outro presente no encontro anterior crescendo-se a sim num processo semelhante ao celular, processo este que continuará nos encontros posteriores até se atingir a comunidade.

Na primeira fase, o objectivo será a formação de uma comunidade ligada à dança contemporânea com uma certa curadoria a nível de participação de modo a manter a qualidade dos mesmos, no entanto, confronto com outras realidades será inevitável.

Numa segunda fase, poder-se-iam convidar pessoas ligadas a outras áreas artísticas para partilharmos experiências e aumentarmos o alcance de possíveis colaborações e uma rede de trabalho mais alargada ou, esporadicamente, convidar artistas que não pertencem à área de trabalho do Porto/ Norte ou que estejam de passagem para as nossas conversas, ou ainda alguns estudantes de escolas de arte que mostrem interesse a nível de possível futura integração.

Numa terceira fase o objectivo será a criação/ formação de público. Cada participante nos encontros fica responsável por levar uma ou duas pessoas que não estejam necessariamente ligadas à arte, de modo a participarem também na nossa discussão. Estes encontros funcionariam de duas maneiras – uma seria dar a conhecer o nosso trabalho a um nível mais informal a pessoas que à partida não teriam acesso a ele e de outro modo integrar a comunidade não artística na nossa e dar-lhes a possibilidade de desenvolver um discurso a nível de feedback, comentários, sugestões, gosto, preferências, etc. Os artistas serão portanto responsáveis por manter o nível de qualidade e interesse de cada um destes encontros.

Tudo seria organizado sem financiamento.

A ideia não é partilhar, necessariamente ideias de novos projectos, etc. Temos plena consciência de que a falta de oportunidades gera maior competição. O nosso ponto de vista é que a falta das acima mencionadas oportunidades gere colaboração e cooperação. Cada artista participante propõe o que quiser, se o quiser fazer, num qualquer formato pertinente, até ao ponto que lhe interessar, sem discursos pretensiosos e sem a intenção de auto-promoção nem a necessidade de apresentar qualquer produto ou de expor o processo de trabalho.

Os formatos de questões ou do tempo disponível para cada participante são, para já livres mas irão sendo especificados com o decorrer das reuniões. A meu ver há inúmeras possibilidades a nível de formato de colocação de questões ou de participação e cada encontro pode variar em relação a isso, focando grande parte das conversas no processo e práticas criativas/ artísticas.

Por exemplo: Eu posso apresentar um vídeo e solicitar feedback; a Elisabeth pode abordar questões sobre estratégias para geração de público; o Pedro pode pedir opiniões sobre as fotografias da sua peça anterior; o Andreas pode comentar o espectáculo da semana passada; etc. Se solicitado e se for da vontade de todos, podem também realizar-se encontros de pesquisa física num espaço que assim o permita, no entanto, para já pensamos que esta possibilidade pode fazer parte de uma outra abordagem à comunidade.

Objectivos

  • Fomentar a consciência colectiva da comunidade artística do Porto
  • Conhecer todos os artistas envolvidos na cidade
  • Contribuir para o desenvolvimento de um discurso artístico individual e colectivo
  • Partilhar a pratica artística de cada um dos diversos artistas da cidade.
  • Criação /formação de públicos
  • Facilitar possíveis futuras colaborações
  • Conhecer diferentes espaços na cidade
  • Estimular o desenvolvimento da dança contemporânea
  • Debater assuntos actuais
  • Partilhar experiências dentro e fora do país
  • Apresentação de novas propostas
  • Partilha das necessidades artísticas e questões de cada um
  • Discussão de estratégias
  • Alargar a rede de trabalho.

Organização (núcleo inicial de artistas em 2011): Cristina Planas Leitão, Pedro Rosa, Elisabeth Lambeck, Susanda Otero, Andreas Dyrdal, Vitor Hugo Pontes que se torna flexível em 2012 e 2013 englobando mais artistas.